sábado, 14 de outubro de 2017

COMO AUMENTAR A VIDA ÚTIL DE SEU CAVALETE

Depois de dois anos em jejum, sem escrever neste blog, resolvi retornar à ativa. E o tema (re)inaugural é um assunto que curto muito: cavaletes de instrumentos de cordas friccionadas.

Neste texto, vamos explicar (passo a passo) todos os cuidados para que a vida útil dessa importante peça seja expandida. E isso depende basicamente de um quesito: a boa vontade, conhecimento e, principalmente, paciência por parte do músico. Considerando isso, podemos dizer sem pestanejar que a durabilidade de um cavalete pode variar de poucos meses até alguns anos.


Mas, antes dos ensinamentos, vamos entender um pouco mais sobre o funcionamento desta nobre peça. Como já foi explicado em outro texto publicado nesse blog, o cavalete não serve apenas para sustentar as cordas, mas tem, também, a importante missão de transferir a energia das vibrações das cordas para o tampo, seguindo para a alma e barra harmônica. E isso justifica a importância de o cavalete estar sempre muito bem posicionado e ajustado. Porém, por mais que ele esteja com tudo em dia, sua vibração natural e a tensão das cordas podem fazer com que sua parte superior sofra torções ou empenamento. 

A vibração natural, no entanto, é o único vilão. O simples ato de afinar também pode contribuir com a deformação do cavalete, principalmente no caso dos violinos e violas. Isso porque ao subir a afinação pelas cravelhas, as cordas tendem a puxar a parte superior do cavalete em direção ao espelho. Esse movimento, além de poder entortar a peça, pode alterar o seu ângulo em relação ao tampo, fazendo com que os pés do cavalete exerçam pressão em pontos irregulares. E isso certamente acarretará na deformação do tampo do instrumento. E o pior: com o tempo, a pressão mal distribuída, aliada a uma alma mal ajustada (ou desajustada), pode provocar trincas no tampo do instrumento.

Agora que já discorremos um pouco sobre as nocividades de um cavalete mal posicionado/ajustado, vamos aos ensinamentos práticos!


MÃOS NA MASSA – OU MELHOR, NO CAVALETE


O primeiro passo é observar aonde está posicionado o cavalete.
O local adequado é entre as marcações centrais dos “efes” (também conhecidos como ouvidos). Note que a linha superior do cavalete (aonde as cordas estão assentadas) deve estar alinhada com a marcação inferior dos “efes” (foto ao lado). 



O centro do coração deve estar alinhado com a divisória das duas peças de abeto do tampo e, consequentemente (se o instrumento tiver uma boa construção) com o centro do espelho.


Após posicionamento devemos apertar um pouco as cordas e pegar (com os dedos em forma de pinça) a cintura do cavalete. Delicadamente, devemos pressionar ele contra o tampo, de forma que a sola de seus pés fiquem totalmente acomodadas ao tampo. 

Feito isso, vamos nos atentar ao ângulo do cavalete. Isso, porém, depende muito mais da qualidade técnica do ajuste realizado pelo luthier do que pela vontade do músico em posicionar a peça corretamente.

Se a peça tiver sido bem ajustado, sua parte traseira (que é voltada ao estandarte) deverá ter um ângulo de 88º a 90º em relação ao tampo. E, consequentemente, a parte frontal (voltada ao espelho) deverá ser levemente inclinada com um ângulo mais aberto.

Caso esteja fora desse padrão, não force a peça na intenção de obter essa inclinação (de 88º a 90º em relação ao tampo). Esse procedimento errôneo contribuirá para a má distribuição de tensão sobre o tampo, prejudicando sua estrutura, vibração e, portanto, timbre do instrumento.

O segundo passo consiste em afinar as cordas.

Sempre afine uma de cada vez, começando seguindo a seguinte ordem: Sol, Lá, Ré e Mi. Dessa maneira, as cordas puxarão o braço de uma forma mais equilibrada, evitando torções causadas pela tensão. Afine uma de cada vez e, antes de passar para a corda seguinte, confira se todas as demais (que já foram afinadas) estão com a afinação correta. Caso não esteja, corrija a afinação antes de passar para a próxima corda. Esse cuidado evitará o rompimento da corda Mi durante o processo.

A pós afinar cada corda, averigue se o cavalete está inclinando sentido ao espelho. Para isso, observe se a parte traseira dos pés estão levemente levantadas. Se tiver, pela cintura, pressione o cavalete contra o tampo de forma que os pés voltem a ficar totalmente encostados ao tampo. Importante: sempre que for segurar a cintura do cavalete, tome cuidado como seu quadril. São extremamente frágeis e praticamente "imploram" para serem quebrados!

O terceiro – e último - passo incide sobre analisar a linha superior. Ao observá-la por cima, ela deve estar reta. Se tiver em forma de “S” ou deformada, estabilize o cavalete apoiando os dedos polegares na cintura. Com os indicadores, corrija a linha superior. 

E pronto! Com esses cuidados, seu cavalete terá uma vida mais longa e próspera, preservando tanto a estrutura do instrumento quanto à qualidade de seu timbre!

(Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

OS VERNIZES E SUAS CARACTERÍSTICAS

Embora existam controversas, muitos estudiosos acreditam que o segredo dos instrumentos Stradvarius está em seu verniz. Opiniões à parte, o fato é que o acabamento tem uma grande importância no resultado final do timbre dos instrumentos de coras, principalmente os acústicos.
Neste texto abordaremos sobre os três principais tipos de vernizes utilizados tanto por fábricas quanto por renomados luthiers. São eles: os industriais sintéticos (à base de poliuretano ou poliéster), o óleo e a goma-laca (no Brasil as mais utilizadas são a nacional e a indiana).


SINTÉTICOS

Esse tipo de verniz é geralmente feito a base de poliuretano ou poliéster (ambos derivados do petróleo). São muito utilizados por instrumentos industrializados. O motivo é a facilidade de preparo e aplicação. Esses vernizes são os menos indicados pelo fato de eles diminuírem a potencialidade vibracional dos instrumentos, deixando o timbre mais fechado.

Bastante resistente, o poliuretano também é utilizado em pintura automotiva. Portanto, não é errado dizer que instrumentos que recebem esse tipo de acabamento podem ser limpados com cera automotiva. Porém, cuidado! Certifique-se de que o verniz é realmente a base de poliuretano ou poliéster. Caso contrário, o acabamento e a sonoridade do instrumento poderão ser comprometidos.

Por mais que o verniz seja sintético, é sempre importante ter muito critério ao limpá-lo. Já ouvi relatos de uma amiga violinista - e das boas - que percebeu uma alteração no timbre de seu instrumento (cujo verniz é à base de PU), após aplicar cera automotiva. Para evitar eventualidades como essa, a dica é aplicar o minimo de cera possível. Uma fina película é mais do que suficiente para remover o breu e gordura do instrumento.

Outra dica é comprar uma cera com baixo teor de solvente. Lembre-se que esse produto é abrasivo e muitas aplicações seguidas podem prejudicar até mesmo os vernizes sintéticos. 


À BASE DE ÁLCOOL

Há uma infinidade de receitas de vernizes à base de álcool, também conhecidos como "espíritos". Muitas incluem diversos tipos de plantas, resinas, âmbar e até minérios.
No Brasil os mais populares são a goma-laca indiana e a resina da pinho do pará, também conhecida como goma-laca nacional. Esse tipo de verniz, bastante utilizado por luthiers, permite a respiração da madeira, além de proporcionar um belo acabamento.

Porém, os vernizes à base de álcool requerem cuidados especiais, pois são delicados e podem facilmente sofrer com variações climáticas. Em locais muito úmidos e com alto teor de salubridade, como Santos e região, é sempre importante conferir se o instrumento não apresenta marcas de bolor ou, mesmo, mofo.

Esse tipo de verniz não deve ser mantido com ceras industriais. O ideal é que seja limpo apenas a seco. No máximo pode-se utilizar um algodão com poucas gotas de óleo de amêndoas ou de nozes.


ÓLEO

Os vernizes à base de óleo estão entre os mais indicados e utilizados por luthiers. Eles garantem um belo acabamento, bastante brilhante e que revela toda a beleza da madeira. O óleo não é utilizado por violinos industrializados pelor causa da demora de secagem e pelo seu processo de aplicação ser artesanal. 

Assim como a goma laca, esse tipo de verniz permite uma boa vibração do instrumento, garantindo um timbre aberto. A vantagem é que ele é mais resistente às intempéries do que os vernizes à base de álcool. 
Pode ser higienizado a seco ou com óleos específicos. 

(Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)


segunda-feira, 30 de junho de 2014

MADEIRAS ALTERNATIVAS

Este texto é dedicado aos músicos mais nacionalistas e que não se importam com a tradição quando o assunto é construção de instrumentos de arco.

A proposta é apontar as madeiras brasileiras que podem ser substitutas de alta qualidade e desempenho às tradicionais espécies utilizadas nestes instrumentos: ébano, boxwood, ácero (maple e átiro) e abeto (também conhecido como spruce).

Para isso, elaboramos uma copilação de vários estudos nacionais e internacionais sobre diversas caraterísticas relevantes de madeiras de todo o globo, como ressonância, densidade, velocidade de propagação do som, elasticidade, grã, mecânica, resistência entre outras.

O resultado é que a biodiversidade brasileira - a mais rica do mundo - de fato guarda verdadeiras jóias sonoras, desde que trabalhadas corretamente.


CASTANHA DE ARARA, SORVA E MARUPÁ

A marupá já entrou no gosto popular, apesar de ser uma madeira estéticamente sem graça. As três madeiras que nomeiam essa retranca podem ser utilizadas no tampo de violinos, violas, violoncelos e contrabaixos sem receios. Assim como o abeto elas possuem grã direita e textura média.  

A densidade das madeiras nacionais é bastante próxima à das tradicionais. Enquanto as variedades de abeto oscilam entre 0,40 e 0,43 g/cm³, as exemplares nacionais substitutas variam entre  0,38 e 0,39 g/cm³.

As brasileiras Faveira Tamboril e Morototó também são boas escolhas para o tampo.

É importante lembrar que o processo de corte, tratamento e contrução de instrumentos feitos com as madeiras nacionais alternativas devem receber um tratamento diferenciado, analisando questões físicas e mecânicas para que o resultado final seja satisfatório.
  

ANDIROBA, AMAPÁ DOCE E TACHI-PRETO FL

Essas madeiras são verdadeiras coringas, podendo ser utilizadas em várias partes de um violino, como o fundo, faixas laterais, braço e cavalete.

Elas substituem com excelência (desde que trabalhadas com respeito e atenção às suas características particulares) o ácero, sugar e rock maple, cujas densidades variam de  0,50 a 0,63 g/cm³.

IPÊ, CORAÇÃO DE NEGRO E JACARANDÁ

Esse forte trio de madeiras nacionais podem subsituir o apreciado ébano e o boxwood, na confecção de espelhos, estandartes, cravelhas, pestanas, e pinos.
Resistentes e de alto valor estéticos, são ótimas opções. 

ESPELHO: ÉBANO VS EBANIZADO

Bastante apreciado pela sua estética e contribuição ao timbre dos instrumentos de cordas, os espelhos (também conhecidos como escalas) de "ébano" podem não ser exatamente o que os músicos procuram.

Isso porque muitas vezes eles podem ter uma característica um tanto indesejada: não passar de um espelho ebanizado.


A diferença entre essas duas variedades de espelho é que o espelho de ébano é feito com a nobre madeira africana (e agora também asiática). Já o ebanizado não passa de uma madeira macia, de baixa densidade, porosa e tingida de preto. Trata-se de uma boa simulação.



QUESTÕES SONORAS


A principal diferença entre os espelhos de ébano e os ebanizados é referente ao timbre. Embora essas variedades de espelhos sejam esteticamente parecidas, o som é bastante distinguível, em especial aos ouvidos mais atentos.


Geralmente os espelhos ebanizados são feitos em maple, uma madeira clara, leve e porosa, cujas características mecânicas, de vibração, elasticidade, densidade e ponto de ruptura são bastante diferentes do ébano, que por sua vez é uma espécie densa  e dura.


Para se ter uma breve noção da diferença destas duas espécies de madeira, podemos dizer que o maple pesa cerca de 63 gramas por cm². O ébano pode chagar a até 50% a mais deste valor.


Quanto à resistência considerando a ruptura da madeira, o maple aguenta cerca de 650 kg/cm². Já o ébano suporta até surpreendentes 1.400 kg/cm². 


Porém, quando o assunto é a velocidade da propagação dessas madeiras, são bem próximas, entre 4300 e 4800 m/s.



TINGIMENTO E PINTURA


Além das discrepâncias do maple e do ébano, há outro fator que contribui com a queda da qualidade dos espelhos ebanizados, em comparação aos de ébano: a pintura e o tingimento.


Esses recursos, que enganam os músicos desavisados, se revelam com o passar do tempo, pois a tinta sofre um desgaste natural ocasionado pelo uso do instrumento, deixando-o com uma aparência descuidada.


Porém, a questão estética não é o único problema dos ebanizados. A tinta aplicada no espelho sela os poros da madeira, retendo sua vibração. O resultado é um timbre sem vida e opaco.


CONFORTO E TOCABILIDADE


Quem conhece os espelhos ebanizados, sabe que além de a cor negra sair com o tempo, sua superfície fica deformada e desgasta pelo atrito e pressão das cordas sob a madeira, geralmente de baixa densidade e resistência.

Essas deformações , conhecidas como "buracos" geram vibrações indesejadas, além de prejudicar os harmônicos e sustain do instrumento.



COMO SE PROTEGER?


O primeiro passo para não comprar gato por lebre (ou melhor, ebanizado por ébano) é conhecer a procedência do instrumento. Em caso de dúvidas, o espelho deve ser bem analisado. Os veios devem estar definidos. Se não estiverem, há grandes possibilidades de a peça ser ebanizada.


Caso a dúvida persista, confira a parte inferior do espelho (a que está voltada ao tampo). As possíveis falhas na pintura (revelando a cor clara do maple) são indícios de que a peça é ebanizada.  


E se, ainda assim, não for possível distinguir essas duas variedades de espelho, peça orientação a um luthier capacitado e de confiança.



OUTRAS OPÇÕES


Espelhos de ébano e ebanizados não são as únicas opções para confecção de espelhos de instrumentos musicais. Essas peças podem ser feitas com madeiras menos tradicionais que a africana e de melhor qualidade que as ebanizadas.


É possível fugir dos espelhos pintados optando por madeiras como rosewood (jacarandá asiático), ipê, coração de negro, sibipiruna, roxinho, entre outras.


Essas madeiras podem substituir o ébano com eficácia pela sua dureza, resistência, mecânica e densidade. Certamente não possuem a beleza negra do ébano, mas são alternativas mais acessíveis e de qualidade surpreendente.





segunda-feira, 16 de junho de 2014

A IMPORTÂNCIA DO AJUSTE DO CAVALETE

Muitos músicos nem desconfiam, mas os cavaletes  de violinos, violas, violoncelos e contrabaixos exercem uma grande importância para o resultado final  do timbre destes instrumentos.

Essa peça não serve apenas para sustentar as cordas, mas transmitem suas vibrações para a alma destes instrumentos. Por isso o cavalete deve estar sempre muito bem ajustado e posicionado.


Este trabalho, ao contrário do que muitos imaginam, não consiste apenas em lixar os pés e a linha superior da peça, considerando as curvaturas do tampo e do espelho do instrumento.  
O ajuste do cavalete é um trabalho minucioso  que requer habilidades de um escultor e conhecimentos sobre as propriedades mecânicas e físicas da madeira a ser entalhada (neste caso o maple).

Assim, a primeira etapa para o ajuste é saber o timbre desejado, uma vez que o aprimoramento desta peça pode contribuir com a obtenção de corpo, brilho, destaque nos agudos, entre outras características.


É extremamente importante informar o timbre desejado ao luthier, para que ele possa trabalhar a peça de acordo com as exigências do músico.  Isso porque existe um padrão de ajuste, porém são permitidas sutis alterações milimétricas (em certos casos, décimos de milímetro) que exercem perceptíveis diferenças no som do instrumento.


Antes de solicitar o ajuste do cavalete, consulte um profissional de sua confiança para que, juntos, estudem o caso para obter o melhor timbre possível.



A INFLUÊNCIA DO AJUSTE DOS MEMBROS DO CAVALETE




Cada parte desta importante peça requer ajustes precisos. Abaixo seguem tópicos que abordam a importância de cada "membro" do cavalete.


Pés -
o ajuste dos pés é fundamental para a transmissão da vibração do cavalete até a alma e a barra harmônica. Suas partes (tornozelo, canela, dedo e calcanhar) devem estar perfeitamente equilibradas, respeitando medidas precisas afim de que este "membro" tenha o melhor desempenho possível. As linhas inferiores dos pés devem estar totalmente encostadas sob o tampo do instrumento.


Coração -
 deve ser simétrico. Este orifício não é meramente estético. Ele exerce uma influência considerável na vibração do cavalete. O ajuste deste "órgão" deve respeitar uma distância exata entre a curva superior e o arco inferior do cavalete.


Curva superior -
 local em que as cordas são apoiadas. A curvatura deve respeitar o espelho do instrumento. São permitidas algumas alterações de acordo com o gosto do músico. Neste caso, o luthier responsável pelo ajuste deve fazer uma breve entrevista com o músico, para poder lhe explicar os prós e os contras dessas alterações, nos quesitos conforto e timbre.


Arco inferior
-
para cada tipo de cavalete existe uma medida e curvatura exatas. Porém, deve-se sempre respeitar uma distância precisa entre essa linha e a parte inferior do coração, bem como os pés.


Laterais (também conhecida como quadril) -
 existe uma medida padrão para o ajuste das laterais de cada cavalete. São permitidas pequenas alterações que podem proporcionar maior frequência ressonância. Deve ser trabalhado em harmonia com o "coração".  


Voluta (também conhecida como rim) -
deve ser harmônica e simétrica. Seu entalhe pode proporcionar maior ou menor ressonância.


Espessura - deve haver uma precisão milimétrica na progressão da espessura dos cavaletes. Este ajuste é de extrema importância para a mecânica da peça como um todo. Um cavalete sem as espessuras corretas perde seu poder de vibração, o que prejudica - e muito - a qualidade do timbre do instrumento.

Altura - para muitos instrumentos é uma faca de dois gumes. No caso dos violinos, é recomendável uma altura entre 32,5 mm e 35 mm. Porém, essa medida pode variar de acordo com o gosto do músico e com a inclinação do braço do instrumento, que, por sua vez, pode estar certa ou errada. Cabe ao luthier estudar cada caso individualmente e explicar ao músico as vantagens e desvantagens do ajuste da altura, de acordo com o gosto do músico.

Ângulo - as "costas" do cavalete (que está voltada ao estandarte) deve apresentar um ângulo de 90° em relação ao tampo (dependendo da avaliação do luthier, em relação ao músico, esse ângulo pode variar de 88º a 90º). Desta forma, o cavalete vibrará com melhor desempenho e não cairá com frequência. Cavaletes tortos e tampos amassados (por falta de ajustes e por instalação de corpos estranhos, como alguns sistemas de captação eletrônica) podem impossibilitar esse ajuste.

Posicionamento - esse ajuste é fundamental para a afinação do instrumento. O cavalete deve estar precisamente instalado entre os entalhes dos "efes".

Tornozelo e canela; dedo e calcanhar - para cada instrumento existe uma medida específica para essas partes dos cavaletes. Elas são extremamente importantes para transmitir a vibração da peça para a alma e barra harmônica.

Entalhe (incisão da orelha) - esse recurso próximo aos pés não é meramente estético. Sua função é diminuir a resistência mecânica dos pés do instrumento, gerando maior vibração à parte inferior do cavalete.


(Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)

terça-feira, 27 de maio de 2014

O QUE O MÚSICO PRECISA SABER SOBRE LEIS


Por Anselmo Fernandes Prandoni* 

O universo da música é amplo, não apenas na variedade de estilos. Os diversos meios de atuar nessa área envolvem as atividades de composição, gravação, produção, apresentação ao vivo, luteria, lecionar, entre outras.

Um verdadeiro leque de oportunidades se abre para quem escolhe fazer da música o seu trabalho ou lazer.



Diversas áreas do conhecimento contribuem para o avanço da música e das atividades que giram em torno dela. Diferentes setores e mercados exercem importante influência, direta ou indiretamente, acrescentando novas tecnologias e ferramentas a serem utilizadas. Para listar apenas alguns exemplos, há os softwares de gravação, além dos equipamentos eletrônicos que simulam efeitos e amplificadores. Entretanto, existe uma área que a princípio pode soar incomum aos ouvidos, mas que tem um importante papel.


No Brasil, o Direito oferece suporte para o ramo da música. A Lei 9.610/98 regulamenta o Direito Autoral. Por sua vez, a Lei 9.609/98 dispõe sobre a Propriedade Intelectual de programa de computador, enquanto a Lei 9.279/96 trata da Propriedade Industrial. Além disso, o país também faz parte de tratados internacionais que regulamentam o assunto, sendo os mais importantes a Convenção de Paris (1883) e a Convenção da União de Berna (1886). Em outras palavras, são normas que outros países também adotaram em seus ordenamentos jurídicos.


A lei muitas vezes parece confusa para aqueles que não têm formação jurídica. A importância de traduzir a linguagem jurídica é fazer com que o interessado conheça os seus direitos. Hoje em dia, a falta desse conhecimento pode fazer com que o músico perca boas oportunidades. Portanto, esse texto pretende fazer uma breve análise do que protege cada lei.



Lei 9.610/98: Direito Autoral


Essa lei regulamenta a proteção dos direitos do autor e os que lhes são conexos. Envolve o autor das obras (compositor) e o intérprete ou executante. Trata também das regras sobre domínio público, execução pública das obras, registro, direitos morais e patrimoniais do autor, bem como os direitos dos produtores fonográficos e empresas de radiodifusão. Dispõe, ainda, sobre outros assuntos, até porque é uma lei que não trata apenas da música, mas também de fotografia, desenhos, textos etc..



Lei 9.609/98: Propriedade Intelectual de programa de computador


Hoje em dia, o músico conta com softwares de computador e aplicativos (apps) para Smartphones que contribuem para a atividade musical. Para citar alguns, existem os programas Sound Forge PRO e Cubase, além dos aplicativos GarageBand e Amplitube. No Brasil, a proteção aos direitos de autor, registro, garantias ao usuário de programa de computador, contratos de licença de uso, comercialização e transferência da tecnologia, infrações e penalidades são protegidas por essa lei.



Lei 9.279/98: Propriedade Industrial

A criação de hardware, peças, ferramentas, maquinário para produção de instrumentos e equipamentos está relacionada principalmente à área da luteria e da engenharia. Para proteger essa área do conhecimento existe a presente lei, que trata da patente, invenções e modelos de utilidade, desenhos industriais, direitos sobre a marca, concorrência desleal, entre outras normas.


É importante dizer que a lei também protege o músico em outros assuntos, a exemplo das relações trabalhistas, contratos em geral, inclusive com gravadoras, produtoras e endorsements. No Código Penal, o Artigo 184 classifica como crime violar direitos de autor e os conexos, popularmente chamado de pirataria.


O Direito ligado à música, ainda que pouco divulgado, é um assunto atual que vem sendo cada vez mais discutido e regulamentado. Uma prova disso é que no mês de agosto de 2013 a Lei de Direitos Autorais sofreu uma alteração no que diz respeito à gestão coletiva de direitos autorais (Lei 12.853/13). Também relevante foi a alteração trazida pela Emenda Constitucional nº 75, de outubro de 2013, que instituiu a imunidade tributária musical no ordenamento jurídico brasileiro.



*Anselmo Fernandes Prandoni é advogado, capacitado em Conciliação, Mediação e Arbitragem pelo Instituto de Mediação e Arbitragem do Brasil (IMAB), Membro das Comissões do Jovem Advogado e Prerrogativa Federal da OAB/SP Subseção de Santos.

Contato: prandoni@aasp.org.br

quarta-feira, 16 de abril de 2014

PARA EVITAR A COROSÃO (DAS CORDAS E DA SAÚDE) III


No texto anterior abordamos algumas medidas alimentares que podem contribuir com a vida útil das cordas e ferragens de instrumentos musicais. (Para ler, clique aqui)

Se mesmo com as medidas adotadas as cordas e ferragens apresentarem alto nível de oxidação em um curto tempo, atenção: pode ser um sinal de doenças relacionadas à produção de ácido úrico.


Algumas delas podem até comprometer o desempenho musical de profissionais e amadores da arte de tocar instrumentos. Portanto toda atenção é necessária.


Existes três doenças renais, entre outras, provocadas pelas anormalidades do ácido úrico. São elas: nefropatia úrica aguda, nefropatia úrica intersticial crônica e os famosos cálculos renais.


A nefropatia úrica aguda ocorre pela precipitação aguda de uratos dentro dos túbulos renais. Ela provoca uma obstrução à passagem da urina. Caracteriza-se pela pouca produção de urina, o que pode provocar dores lombares.


Portanto, os músicos devem ficar atentos quando tiverem essas dores. Elas podem não ser necessariamente por causa do peso do instrumento, mas devido à inflamação do rim.


Para prevenir esta doença é importante tomar água constantemente, mas sem exageros.


Já a nefropatia úrica crônica é uma doença que impregna todo o tecido do rim, resultando a fibrose do tecido renal, que endurece o órgão. Como consequência o rim passa a não filtrar com tanta eficácia.


Os cálculos renais representam de 3 a 5% de todos os cálculos. Eles ocorrem pela grande excreção de uratos na urina associado a fatores causadores ou facilitadores da formação de cálculos (urina muito ou sempre ácida, supersaturação de cristais, infecção urinária etc.).


A excreção normal de ácido úrico é de até 600mg por dia. Quando ela atinge mais de 1000mg, metade dos pacientes poderá formar cálculos de ácido úrico e deverá receber atenção médica especial.

Por isso a importância de estar com os exames de rotina em dia.


Relacionada à elevação de ácido úrico no sangue, a Gota é uma doença que leva a um depósito de cristais de monourato de sódio nas articulações.


Este depósito que gera os surtos de artrite aguda secundária que tanto incomodam seus portadores.

Na maioria das vezes, o primeiro sintoma é um inchaço do dedo grande do pé acompanhado de dor forte. A primeira crise pode durar de três a dez dias.

Após este período o paciente volta a levar uma vida normal, o que geralmente faz com que ele não procure ajuda médica imediata.


Uma nova crise pode surgir em meses ou anos e comprometer a mesma ou outras articulações. Geralmente as crises de artrite aparecem nos membros inferiores, mas pode haver comprometimento de qualquer articulação. Sem tratamento, o intervalo entre as crises tende a diminuir e a intensidade a aumentar.


O paciente que não se trata pode ter suas articulações deformadas e ainda apresentar depósitos de cristais de monourato de sódio em cartilagens, tendões, articulações e bursas.

O diagnóstico desta doença só é possível durante a primeira crise, se forem encontrados cristais de ácido úrico no líquido aspirado da articulação. Caso contrário, não é possível definir o diagnóstico antes de descartar outras causas possíveis.


Não há cura definitiva para a gota, já que a maioria dos casos acontecem devido a falhas na eliminação ou na produção do ácido úrico.


Geralmente são indicados dieta e medicamentos para diminuir a taxa de ácido úrico no sangue e, consequentemente, evitar as crises de gota.


PARA EVITAR A CORROSÃO II

Quem mora em cidades litorâneas, como Santos e região, sabe o quanto é triste necessidade de ter que trocar as cordas de seu instrumento em curtos períodos.

A maresia e a umidade do ar contribuem – e muito – não só com a oxidação das cordas, mas também com a depreciação estética das ferragens dos instrumentos, como ponte e tarraxas. (Para saber como prevenir a corrosão, clique aqui)


No entanto, as características climáticas não são os únicos vilões no que diz respeito à abreviação da vida útil das cordas. O que ingerimos também afeta consideravelmente a conservação dos encordoamentos, pois eliminamos pelo suor ácido úrico, que é extremamente corrosivo.

Há, porém, maneiras de produzir menos dessa substância nociva às cordas e, consequentemente, ao bolso.

O ácido úrico é uma substância produzida pelo nosso organismo quando da utilização de todas as proteínas que comemos na alimentação do dia-a-dia.

Numa explicação mais simples, pode-se dizer que, quando as moléculas de proteínas dos alimentos são partidas em pedaços dentro do nosso organismo para servir de energia, o que sobra de todo esse processo é o ácido úrico.


Bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas, e alimentos ricos em purina (ervilhas, feijão, carnes, tomate, frutos do mar etc.) são reconhecidamente uma importante fonte para o aumento do nível de ácido úrico no organismo.

Por isso, a importância de os músicos terem conhecimento dos alimentos que podem contribuir com a abreviação da vida útil das cordas.


Segue uma lista dos alimentos que aumentam o nível de ácido úrico:


Legumes: couve-flor, vagem, feijão, ervilha, amendoim, azeitona
Carnes: miúdos de carnes em geral, carne de porco, carne de vaca, embutidos em geral
Peixes: Sardinhas, muquecas em geral
Ovos
Bebidas alcoólicas: destiladas, vinho
Alimentos em conserva
Pimenta do reino
Tomate


Como todo brasileiro não vive sem o tradicional feijão, uma dica é deixá-lo descansando dentro de uma vasilha com água à noite. Na manhã seguinte remova a água e lave o feijão antes de cozê-lo.

Com certeza, as cordas e ferragens de seu instrumento agradecerão!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TARRAXAS, ESCOLHA A SUA

Engana-se o leitor que pensou que neste texto serão abordadas as principais marcas de tarraxas do mercado. A ideia é fazer com que sejam solucionadas algumas possíveis dúvidas na hora da comprar esta peça tão fundamental para a afinação de qualquer instrumento de cordas.

Não é raro ver casos em que o músico compra a tarraxa de seus sonhos e descobre que ela não é totalmente adequada ao seu instrumento. Para não haver erros na hora da compra, é importante conhecer as variedades os diversos tipos de tarraxas.

Basicamente existem três distintos padrões: blindados, semi-blindados e abertos.

As tarraxas blindadas protegem totalmente o sistema de engrenagem contra poeira, gordura, além de evitarem a oxidação precoce, principalmente em cidades litorâneas. Elas são as mais apreciadas por diversos músicos pela sua durabilidade e resistência. Alguns modelos são equipados com travas e até sofisticados sistemas que cortam o excesso de cordas automaticamente.

As semi-blindadas possuem uma carcaça removível e são instaladas freqüentemente em modelos como SG e Les Paul. Essa variedade é mais sensível do que a blindada e sua engrenagem necessita de limpeza periódica.

Já a tarraxa aberta é a mais delicada e, portanto, necessita de cuidados específicos. Sua engrenagem fica totalmente exposta às condições ambientais; portanto, o músico deve sempre estar atento verificando se o local apresenta acúmulo de poeira ou sinais de oxidação.

A dica, quando for substituir as tarraxas, é comprar um jogo compatível ou encaminhar o instrumento a um luthier qualificado e de confiança para fazer as alterações necessárias no instrumento.
  
PRECISÃO

Nem sempre as melhores e mais caras tarraxas do mercado necessariamente terão uma afinação mais precisa. Isso porque o projeto da tarraxa nesta questão influi mais do que a qualidade de seus materiais.

Algumas marcas de tarraxas
apresentam na embalagem informações como "1:12", "1:14" ou "1:16", com o objetivo de especificar a precisão de afinação. O primeiro número representa o número de voltas do “poste” (local onde a corda é presa) da tarraxa. O segundo número representa a quantidade de voltas que a “borboleta” deve girar para que o poste realize uma volta completa.


Por exemplo: imagine uma tarraxa "1:14". Será necessário girar a borboleta 14 vezes para que o poste da tarraxa gire apenas  uma volta. Deste ponto de vista, quanto maior o número de voltas da borboleta para uma volta do poste, maior será a precisão de afinação da tarraxa. Ou seja, uma peça "1:20" afinará com maior precisão do que uma "1:12".

sábado, 8 de junho de 2013

DICAS PÓS REGULAGEM – PARTE II

No primeiro texto sobre dicas pós-regulagem, abordamos os cuidados que os músicos devem ter para que a regulagem dure mais tempo.

Desta vez apresentamos algumas informações importantes para os músicos que possuem dúvidas sobre este importante serviço que pode modificar um instrumento por completo.
Para facilitar o entendimento, os assuntos foram separados por tópicos.
Uma boa leitura e que seja esclarecedora!


PREPARANDO O INSTRUMENTO PARA O GRANDE EVENTO


Não são poucos os músicos que decidem levar seu instrumento para regular dois dias antes da gravação ou de um grande show.  No afã de ter sua guitarra (baixo ou violão) nos trinques levam o instrumento à oficina de seu luthier e pedem para o profissional dar aquele trato.
Porém a alegria de ter o instrumento no capricho dura pouco. Durante o evento, as  notas desafinam e as cordas produzem um som extremamente metálico.

 Situações como essa não são raras e se repetem com mais freqüência do que se imagina.

Mas afinal, quais medidas os músicos devem adotar para evitar um inconveniente como esse?

 A resposta é simples: evite regulagens e troca de cordas nas vésperas do grande evento.

 O recomendado é que o instrumento seja levado à luteria 15 dias antes do show e retirado sete dias antes da apresentação ou gravação.

 Isso porque após uma regulagem, os instrumentos de cordas ficam susceptíveis a leves alterações estruturais, devido à troca das cordas e à própria regulagem em si.


O INSTRUMENTO FOI REGULADO E DESAFINA COM FREQUÊNCIA

Esta é uma característica muito comum em todos os instrumentos de cordas. Infelizmente, nenhum está a salvo desta desanimadora realidade, nem mesmos quando as melhores cordas são instaladas nos mais caros instrumentos do planeta.

Isso acontece pelo fato de as cordas levarem um certo tempo para se estabilizarem. Para solucionar o problema, basta puxá-las (mas não ao ponto de rompê-las, claro). Também é recomendado tocar por bastante tempo. Assim em dois ou três dias a afinação tornar-se-á mais estável. 


VIOLÕES DE 12 CORDAS E CONTRABAIXOS DE 6 CORDAS

O que estes dois instrumentos tem em comum? Geralmente ambos possuem dois tensores. Por isso a regulagem destes instrumentos requer mais cuidados e atenção, tanto por parte do luthier quanto do músico. Por isso a dica é deixar o profissional trabalhar com calma, pois os dois tensores devem estar em perfeita harmonia.

 Outra dica é tocar o instrumento antes de retirá-lo da oficina. Confira se a distância das cordas agudas está em sintonia com a distância das cordas graves. Confira se o instrumento está confortável e, se necessário, pergunte o que pode ser feito para o instrumento ter uma melhor “pegada”.


TARRAXAS VELHAS

Se depois de uma semana de uso, a afinação de seu instrumento ainda estiver oscilando, provavelmente as tarraxas devem estar com algum problema. Antes de tudo, aperte os parafusos das borboletas das tarraxas. Caso o problema persista, provavelmente as engrenagens devem estar gastas. Neste caso, envie o instrumento novamente ao luthier, e comente a questão. Para saber mais sobre oscilação da afinação, clique aqui.

 Se, de fato, as tarraxas estarem comprometidas, compre peças novas e compatíveis ao seu instrumento e solicite que o luthier faça a substituição.


 AFINAÇÃO DAS OITAVAS

Após a regulagem as oitavas devem estar afinadas. Porém, uma leve alteração na altura das cordas pode afetar a precisão da afinação. Por isso o último detalhe de uma regulagem deve ser a afinação.



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ESCOLHA SUA PESTANA


Embora a maioria das pestanas dos instrumentos musicais de cordas seja produzida em plástico, há um amplo leque de materiais que podem garantir maior durabilidade, além de gerar um timbre diferenciado ao instrumento.

Bastante tradicional nos instrumentos industrializados (incluindo até as marcas mais famosas e respeitadas do planeta) a pestana de plástico é adotada pelo seu baixo custo, o que é muito bom para os fabricantes. Porém, para o músico esta está longe de ser a melhor opção.

Esse material é poroso, pouco denso e - em boa parte das vezes – oco. Sua sonoridade é fraca e sua durabilidade, baixa.

Por isso muitos luthiers se negam a confeccionar e instalar pestanas plásticas. No meio profissional o material favorito é o osso de boi, em especial, proveniente de sua canela, pelo fato de ser mais resistente e denso.

O osso, no entanto, não é o único material de boa qualidade utilizado na confecção de pestanas. O grafite garante menos atrito entre a pestana e as cordas, o que contribui com uma afinação mais precisa, principalmente para os músicos que gostam de técnicas como bends e alavancadas.

No mercado há, ainda, pestanas confeccionadas de materiais sintéticos, como o Tusq. Trata-se de um tipo de marfim artificial, impregnado de teflon. De acordo com a fabricante Graphtech, o material é 500% mais lubrificado que o grafite. 

Outros materiais bastante apreciados são o latão, o cobre e o bronze. Ideais para os músicos que curtem funk, essas pestanas deixam as guitarras com um brilho extra e os slaps dos baixos mais definidos.

Para os excêntricos e caprichosos que buscam por uma pestana com alto valor estético, uma boa pedida são as pestanas de madeira, chifre de boi e madrepérola. Mas atenção: cada uma delas possui características muito particulares.

As feitas em madeira proporcionam um timbre mais aveludado. Por isso são mais indicadas para guitarras semi-acústicas e baixos sem trastes. Vale ressaltar que não é qualquer madeira que serve para a confecção de pestanas. Seu corte também precisa ser perfeito para que a peça sustente a tensão das cordas sem se romper.

As de chifres de boi também garantem um som morno e aveludado. Sua vantagem é que, se bem trabalhado, permite que a corda deslize com mais facilidade, de forma similar ao do grafite.

Já as pestanas de madrepérola estão entre que possuem maior valor estético e agregam maior custo. Isso porque a dificuldade de encontrar uma peça única de madrepérola das dimensões adequadas á real. Além disso, moldar esse material é uma tarefa extremamente complexa. Porém, o resultado final é surpreendente.    
 (Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)

domingo, 25 de novembro de 2012

É HORA DE TROCAR AS CORDAS

Preguiça e economia são os principais motivos que fazem os músicos adiarem a troca de cordas de seu instrumento. Porém, a sensação de economizar ao estender o tempo da troca de cordas pode acarretar prejuízos futuros.


Não é novidade para nenhum músico da Região Metropolitana da Baixada Santista que jogos de cordas internacionalmente conhecidas (como, por exemplo, a D’addario XP e a Ernie Ball) costumam apresentar sinais de ferrugem em duas semanas de uso. 

Mesmo assim, não é difícil encontrar músicos que mantém as mesmas cordas por seis meses ou mais.


Mas, afinal, quais os males que um simples jogo de cordas enferrujadas pode ocasionar ao instrumento?


São muitos, a começar pelos trastes. Por estarem enferrujadas, as cordas velhas, ao serem pressionadas e tensionadas em técnicas como os bends, exercem mais atrito do que as cordas novas. E repletas de micro texturas da ferrugem, as cordas  com vários meses de uso desgastam os trastes mais rapidamente, deformado-os em um período muito mais curto do que se as cordas fossem trocadas mensalmente.


Conclusão: quem não troca o encordoamento com freqüência, terá que fazer uma retífica de trastes em um período curdo ou, quiçá, substituir todos os trastes.


Outro problema comum é a corrosão das ferragens que por estarem em contato direto com as tarraxas e com a ponte, a chance de alastramento da ferrugem para essas peças é maior.

Mas não para por aí: a ferrugem das cordas, como se fosse uma praga, pode “contaminar” os pólos dos captadores e os parafusos que servem para controlar a altura dos carrinhos, de forma, às vezes, irreparável.

Por isso, não se deixe enganar. Adiar a troca das cordas não é uma forma de economizar, mas sim a receita certa para deteriorar peças importantes de qualquer instrumento de cordas.


O TEMPO DE VIDA DAS CORDAS


Depois desta orientação, certamente quem leu o texto acima deve estar se perguntado: mas qual é o tempo de vida útil de um jogo de cordas?

A durabilidade de cordas convencionais de guitarra, violão e cavaco (entre outros) pode variar muito. Em regiões litorâneas um jogo pode resistir sem prejudicar o instrumento por cerca de um mês, considerando que os cuidados do músico e a composição de seu suor podem estender ou reduzir esta estimativa empírica.

Já os encordoamentos convencionais de contrabaixo elétrico costumam durar um pouco mais, de três a quatro meses.

Portanto, fica mais do que claro, a importância não apenas de trocar as cordas regularmente, mas também de conservá-las em todos os aspectos: estético, funcional e no que diz respeito ao timbre, que só as cordas novas proporcionam.

Para saber como aumentar a vida útil de suas cordas clique AQUI.



CORDAS QUE DURAM MAIS


No mercado há alguns tipos de cordas que são feitas para durar. É o caso da Elixir e da D’addario ESP. Independentemente das tecnologias empregadas nestes encordoamentos, eles duram de três a quatro vezes mais do que as cordas convencionais. É uma boa opção para quem deseja economizar tempo e dinheiro.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

CUIDADOS COM A PINTURA

Qual músico caprichoso que não fica admirado com um instrumento cuja pintura (ou verniz) está impecável e reluzente?

 Mantê-la, porém, com um aspecto novo é sempre um grande desafio. E no afã de deixar seus instrumentos brilhantes e bem cuidados, muitos músicos acabam detonando a pintura.

 Afinal, esmero demasiado sem conhecimentos técnicos é algo que pode ser prejudicial para a estética de qualquer instrumento.

 Confira a seguir uma lista com os cuidados que se deve ter com os produtos e objetos utilizados para a conservação da pintura.

Flanela – “Todo músico que se preza leva consigo uma flanela”. Muito cuidado com esta frase! A flanela, com o tempo, tende a acumular resíduos de produtos químicos e poeira, que podem ocasionar pequenos riscos na pintura. Portanto, o recomendável é substituir o velho paninho por materiais descartáveis, como a estopa e o algodão que devem ser trocadas à cada aplicação.

Cera de automotiva – Vários luthiers recomendam. Porém, o uso excessivo da cera automotiva pode provocar a corrosão da pintura, pelo fato de o produto ser abrasivo. No dia-dia, utilize o lustra móveis, mas apenas em pintura (e verniz) a base de poliuretano e poliéster. A cada dois meses, utilize a cera automotiva, apenas para manutenção. Para saber como aplicar, clique aqui.

Anti-ferrugem – Muito usado nas ferragens (ponte e tarraxas), esses produtos não devem entrar em contato com a pintura, por serem abrasivos. Assim, o anti-ferrugem deve ser aplicado com muito cuidado para não escorrer no corpo ou braço do instrumento.

 Cinto – Evite deixar o cinto entrar em contato com a parte de traseira do instrumento, pois sua fivela poderá riscá-lo.

Correia e bag – Sempre que for guardar seu instrumento, remova a correia e guarde-a no bolso de sua bag. Caso contrário, o acessório poderá riscar a pintura. Ao fechar a bag, tome cuidado para que o zíper não danifique a lateral do instrumento.

Falta de limpeza – O acúmulo de poeira também pode contribuir com a perda da qualidade da pintura, além de poder provocar alguns micro-riscos.
 (Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)

domingo, 29 de julho de 2012

DICAS PÓS-REGULAGEM


Qual músico nunca se perguntou o que deve ser feito para que a regulagem de seu instrumento seja mantida por mais tempo?

Como sabemos, a maioria dos instrumentos de cordas são feitos com madeira, um material orgânico suscetível às alterações ocasionadas por mudanças climáticas e falta de cuidado.

Além do mais, são muitos os aspectos físicos que podem contribuir com a perda da regulagem.

 Por tanto, após a finalização deste serviço, é importante saber como proceder para que a regulagem dure por cerca de um ano.

Abaixo seguem algumas dicas.

- Nunca troque as cordas velhas por outras novas de tensão diferente. Ou seja, se a sua guitarra estiver com um jogo 0.10, jamais a substitua 0.09 ou 0.11. Isso comprometerá a ação do tensor e, conseqüentemente, a regulagem.

- Ao trocar as cordas, substitua-as uma de cada vez, sempre afinando todas as cordas.  Caso contrário, a ação do tensor forçará o braço para trás.  Clique aqui e veja mais detalhes.

- Evite mudar a afinação. Como sabemos, a regulagem envolve uma série de questões físicas. Portanto, alterar a afinação pode fazer com seu instrumento trasteje. No caso das guitarras com ponte flutuante, a situação é ainda pior: ela poderá ficar completamente desafinada, de forma que apenas uma nova regulagem solucionará o problema.

- Nunca deixe seu instrumento desafinado. Mantenha a afinação original da regulagem. Se for alterar a afinação, seja breve. Jamais altere a afinação de uma guitarra floyd rose.   

- Jamais transporte seu instrumento no porta-malas. Não o deixe por horas dentro de um carro. O calor e a umidade, além de prejudicar a regulagem podem fazer com que algumas partes do instrumento descolem.

- Mantenha seu instrumento sempre limpo. Para saber mais detalhes, clique aqui.

- Evite deixá-lo exposto à maresia.

- Sempre descanse seu instrumento em suportes apropriados ou dentro dos bags e estojos. Se for deixá-lo encostado na parede ou repousado na cama, mantenha a escala para baixo.



(Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

PARA EVITAR A CORROSÃO


Não é novidade para os músicos da Baixada Santista que os efeitos da maresia e do alto grau de umidade do litoral são devastadores para os instrumentos musicais, especialmente as guitarras, contrabaixos e violões elétricos.

No entanto, por mais que a salubridade corroa as cordas, ferragens e sistema elétrico, há diversas maneiras de driblar a destruição da água e do sal.

A seguir, algumas dicas para reduzir a ação ocasionada pela maresia.

CORDAS

Quem mora na Região Metropolitana da Baixada Santista sabe que a maioria das marcas de cordas de guitarra em apenas um mês de uso apresenta alto grau de corrosão, exceto a Elixir, que possui uma película protetora anti-corrosiva.

Nestes casos, a dica é limpar as cordas, a cada 10 ou 15 dias, com óleo de máquina ou WD40. O procedimento é o seguinte: pingue algumas gotas de óleo de máquina (ou WD40) em um chumaço de algodão; esfregue suavemente sob as cordas, mas atenção: “não deixe que o produto escorra pela escala”.

Esta técnica aumentará o tempo de vida das cordas, com exceção  da corda Elixir. Nela o procedimento é diferente, pois o óleo poderá corroer a película protetora, fazendo com que as cordas enferrujem com maior rapidez. Portanto esta marca, em especial, deve ser limpa somente com algodão seco.

SISTEMA ELÉTRICO

Uma constatação muitos violões elétricos tiveram pré-ativos pifados em menos de dois anos de uso – e em diversas vezes de forma irreversível. Para minimizar a oxidação ocasionada pela umidade, peça para seu luthier de confiança abrir a caixa do pré-ativo e colocar um sache de sílica gel, que deverá ser substituído a cada seis meses.

No caso das guitarras e contrabaixos, o processo é mais simples. Abra a tampa, prenda - cuidadosamente - um saquinho de sache entre a fiação do instrumento.

FERRAGENS

O tipo de tarraxas e pontes que mais sofrem com o clima tropical litorâneo são as douradas. Em pouco tempo elas oxidam e ganham tons esverdeados de zinabre.

A dica para essas peças (em especial as douradas) é evitar a aplicação de qualquer tipo de produto químico, pois podem ocasionar na remoção de sua tinta protetora. Para mantê-las, apenas limpe-as com algodão seco, sempre antes de guardar o instrumento.

LOCAL PARA GUARDAR
Evite deixar seu instrumento em lugares próximos às janelas e locais aonde são formadas correntes de ar, principalmente se a residência for próxima à praia ou canais santistas. Procure sempre deixar seu instrumento nas bolsas ou estojos especiais.

 (Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)

sábado, 19 de maio de 2012

TIPOS DE BRAÇOS: CONSTRUÇÃO

Após a publicação do texto “Checando a qualidade do braço”, vários internautas apresentaram dúvidas sobre a qualidade dos diferentes tipos de técnicas de construção de braços: o de peça única, o de faixas longarinas ou os feitos em duas peças (mão e braço colados).

Esta não é uma questão simples, pois há muitos critérios a serem analisados. Um deles é saber se a madeira está de fato seca, independentemente do tipo de construção do braço.

Esse ponto é fundamental. Isso porque se ela for recém cortada poderá ter alto teor de umidade, implicando em diversos problemas ao braço, como torções, retração, drásticas deformações etc.. Certamente comprometerão - e muito - o desempenho do instrumento.

O passo seguinte é verificar o tipo de construção do braço. Nesta questão, a grande "vedete" é, sem dúvida, o braço de uma única peça.

Embora muitos músicos, sem se aterem ao custo/benefício, defendam que este é o melhor tipo de construção, dentre os instrumentos industrializados (e muitos manufaturados, também), a melhor opção são os braços feitos com faixas longarinas coladas. Esse processo de construção (adotado pela Gibson e Tobias, por exemplo), por possuir três (ou mais) diferentes peças, cria maior resistência contra torções, já que uma peça compensa a outra.

Apesar de o custo ser geralmete mais alto, este tipo de braço proporciona, ainda, a possibilidade de misturar diferentes tipos de madeiras, com o objetivo de obter o timbre desejado, além de garantir melhor acomodação do tensor.

Portanto, optar entre a tradição do braço de uma única peça e as possibilidades e resistência das faixas longarinas é uma questão pessoal. No entanto, uma coisa é certa: para ter a garantia de um braço que ofereça o mínimo de segurança, evite os feitos em duas peças, em que a mão e o braço são peças distintas, porém coladas.

Este tipo de confecção é muito adotada pelos instrumentos de baixo e médio custo - geralmente fabricados em países orientais - e costumam dar sérios problemas, como a descolagem da mão do instrumento.

Assim, antes de adquirir um instrumento é extremamente importante analisar o tipo de braço e a madeira utilizados na fabricação.

segunda-feira, 26 de março de 2012

CHECANDO A QUALIDADE DO BRAÇO

Que atire a primeira pedra o músico que antes de comprar um instrumento avaliou com critério o braço da peça. Neste importante momento, muitos músicos passam horas a fio em lojas testando diferentes modelos e prestando atenção, especialmente, no timbre e estética.

Porém, a última coisa que analisam é o braço, que, infelizmente, nunca é avalizado com a devida importância. Afinal, muitos acreditam que ele não “interfere de forma significativa” no timbre, muito menos no visual, e, por isso, não vale a pena perder tempo com esses “detalhes”.

Esse, porém, é um erro comum cometido por diversos músicos, tanto amadores quanto profissionais. Isso porque desconhecem que um braço mal feito certamente comprometerá boa parcela do potencial do instrumento, independentemente de ser um Tonante ou um Fender americano.

Portanto, antes de fechar negócio, é fundamental sempre checar a madeira do braço, o funcionamento do tensor, a colocação dos trastes entre outros fatores que podem ser determinantes para a qualidade do instrumento.

Ao contrário do que muitos imaginam, não é preciso ser um expert no assunto para detectar pequenas falhas no braço de um instrumento, que, com o passar do tempo, podem se tornar uma verdadeira dor de cabeça.


VEIOS DO BRAÇO

O primeiro passo é analisar os veios do braço. Eles devem estar em linhas retas e paralelas. Caso a madeira apresente algum nó (veios ondulados ou espiralados), fique esperto e evite comprar o instrumento. Isso porque os instrumentos industriais são fabricados com madeiras recém cortadas, que passam por um forno especial para retirar a umidade da madeira.

O problema é que a qualidade deste tipo de secagem artificial não se compara à secagem natural ao longo de décadas. E pelo fato de a madeira de instrumentos industriais ser relativamente úmida, ela corre o risco de torcer, envergar, estufar ou retrair enquanto seca, o que pode comprometer - e muito - a potencialidade de regulagem do instrumento. 


O TENSOR

Outro cuidado importante que se deve tomar antes de comprar um instrumento, independentemente de sua marca, é atestar se o tensor está em perfeito funcionamento.
Caso o mecanismo da peça não esteja funcionando corretamente, nem mesmo o melhor luthier do mundo conseguirá fazer uma boa regulagem.

Se a loja oferecer serviço de luthieria, ótimo: peça que o instrumento seja regulado. Se depois disso ele ainda estiver desconfortável e com as cordas altas, não o compre, pois alguma coisa não está certa!

Caso a loja não ofereça serviço de luthieria, antes de expirar a garantia de três meses do produto, leve-o a um profissional de sua confiança, para que ele regule e ateste a sua qualidade e desempenho.


A ESCALA

É sempre importante analisar com critério a escala do instrumento. Com uma régua confira se ela tem entre dois a quatro milímetros de espessura. O importante é ter certeza que a escala possui a mesma medida do começo ao fim e dos dois lados. Se por um acaso ela tiver 4mm nas pontas e 3mm no centro, por exemplo, não compre o instrumento. Essa diferença milimétrica influenciará muito em seu desempenho.


PESTANA

O ideal é que a pestana e rastilho sejam de osso de canela de vaca, pois o plástico e o nylon com o uso sofrem desgastes e problemas mais sérios podem começar a surgir com freqüência. Porém, dificilmente encontrará pestanas de osso, pois até mesmo algumas marcas conceituadas infelizmente utilizam o plástico para confeccionar a peça.


TRASTES

Confira se nenhum deles está levantado ou mal encaixado. Se estiver, é um mal sinal e impróprio para ser adquirido.


TARRAXA

O importante é conferir se elas estão segurando a afinação.


(Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)

sábado, 3 de março de 2012

VIOLÕES: VALE A PENA CONSERTAR?

A pergunta que leva o título deste texto com certeza permeia a cabeça de diversos músicos, quando seu violão quebra. Afinal, as mega-indústrias de instrumentos de países como China, Coréia e Taiwan, ao mesmo tempo em que democratizaram a prática musical, entupiram o planeta com violões e violas de qualidade, no mínimo, duvidosa.

Duvidosa, sim, pois o baixo valor monetário destes produtos (em geral) tem um alto preço: pouca qualidade e curta durabilidade, em especial no caso dos violões.
Por esse motivo, quando um destes instrumentos quebra, não tem jeito, sempre fica a dúvida: "Será que vale a pena consertar?". E o único que pode responder este dilema é, de fato, o proprietário do instrumento.

Hoje podemos dizer que maioria dos instrumentos de origem asiática são, de certa forma, descartáveis, pois, quando quebram, raramente valem ser consertados. Isso porque são fabricados com madeiras compensadas, aglomeradas e até MDF. Além disso, são construídos sem critérios que respeitam a precisão das medidas que qualquer instrumento deve ter, o que pode reduzir e muito a sua qualidade.


Desta forma, muitos clientes julgam que o conserto pelo seu custo, mas se esquecem que, na verdade, o valor do instrumento é baixo.  Para ilustrar basta dizer que dificilmente alguém pagaria R$200,00 para consertar um violão Kashima, compensa mais comprar um novo. Mas se o mesmo serviço e valor forem aplicados em um Ramirez (avaliado em cerca de R$40 mil) é o mesmo que “salvá-lo por uma bagatela”.

Outro fator importante no momento de decidir entre consertar (ou não) é o apreço sentimental pelo instrumento. Muitas vezes o violão foi de uma pessoa querida e por isso muitos optam por consertá-lo.


QUANTO MAIS VELHO, MELHOR

A idade do instrumento também é um fator determinante na decisão de consertá-lo, principalmente nos casos dos violões.

Vamos tomar como exemplo um Giannini modelo estudante da década de 1980. Imagine que seu cavalete esteja descolado, o braço quebrado, sem o rastilho e com a pestana gasta, além de estar com as tarraxas enferrujadas.

Para deixá-lo em ordem será necessário um investimento de cerca de R$450,00. Mas será que o serviço é válido, considerando que com esta quantia é possível comprar um violão novo? A resposta é sim, o conserto compensa. Isso porque, além de serem instalados pestana e rastilho feitos de osso (que são muito melhores dos que os originais de plástico), a madeira do instrumento antigo (mesmo sendo compensada) estará totalmente curtida, tendo secado naturalmente ao longo das décadas.

Com isso o violão antigo terá um som mais definido e encorpado do que os instrumentos novos de loja, recém-fabricados. Outra vantagem é que a madeira do violão antigo, por estar seca, não sofrerá torções e deformações. O mesmo não acontece com os novos de loja.

Portanto, há casos em que um conserto geral poderá deixar seu instrumento com um timbre de qualidade muito superior ao de um violão novo.   

(Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)