quarta-feira, 16 de abril de 2014

PARA EVITAR A CORROSÃO II

Quem mora em cidades litorâneas, como Santos e região, sabe o quanto é triste necessidade de ter que trocar as cordas de seu instrumento em curtos períodos.

A maresia e a umidade do ar contribuem – e muito – não só com a oxidação das cordas, mas também com a depreciação estética das ferragens dos instrumentos, como ponte e tarraxas. (Para saber como prevenir a corrosão, clique aqui)


No entanto, as características climáticas não são os únicos vilões no que diz respeito à abreviação da vida útil das cordas. O que ingerimos também afeta consideravelmente a conservação dos encordoamentos, pois eliminamos pelo suor ácido úrico, que é extremamente corrosivo.

Há, porém, maneiras de produzir menos dessa substância nociva às cordas e, consequentemente, ao bolso.

O ácido úrico é uma substância produzida pelo nosso organismo quando da utilização de todas as proteínas que comemos na alimentação do dia-a-dia.

Numa explicação mais simples, pode-se dizer que, quando as moléculas de proteínas dos alimentos são partidas em pedaços dentro do nosso organismo para servir de energia, o que sobra de todo esse processo é o ácido úrico.


Bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas, e alimentos ricos em purina (ervilhas, feijão, carnes, tomate, frutos do mar etc.) são reconhecidamente uma importante fonte para o aumento do nível de ácido úrico no organismo.

Por isso, a importância de os músicos terem conhecimento dos alimentos que podem contribuir com a abreviação da vida útil das cordas.


Segue uma lista dos alimentos que aumentam o nível de ácido úrico:


Legumes: couve-flor, vagem, feijão, ervilha, amendoim, azeitona
Carnes: miúdos de carnes em geral, carne de porco, carne de vaca, embutidos em geral
Peixes: Sardinhas, muquecas em geral
Ovos
Bebidas alcoólicas: destiladas, vinho
Alimentos em conserva
Pimenta do reino
Tomate


Como todo brasileiro não vive sem o tradicional feijão, uma dica é deixá-lo descansando dentro de uma vasilha com água à noite. Na manhã seguinte remova a água e lave o feijão antes de cozê-lo.

Com certeza, as cordas e ferragens de seu instrumento agradecerão!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TARRAXAS, ESCOLHA A SUA

Engana-se o leitor que pensou que neste texto serão abordadas as principais marcas de tarraxas do mercado. A ideia é fazer com que sejam solucionadas algumas possíveis dúvidas na hora da comprar esta peça tão fundamental para a afinação de qualquer instrumento de cordas.

Não é raro ver casos em que o músico compra a tarraxa de seus sonhos e descobre que ela não é totalmente adequada ao seu instrumento. Para não haver erros na hora da compra, é importante conhecer as variedades os diversos tipos de tarraxas.

Basicamente existem três distintos padrões: blindados, semi-blindados e abertos.

As tarraxas blindadas protegem totalmente o sistema de engrenagem contra poeira, gordura, além de evitarem a oxidação precoce, principalmente em cidades litorâneas. Elas são as mais apreciadas por diversos músicos pela sua durabilidade e resistência. Alguns modelos são equipados com travas e até sofisticados sistemas que cortam o excesso de cordas automaticamente.

As semi-blindadas possuem uma carcaça removível e são instaladas freqüentemente em modelos como SG e Les Paul. Essa variedade é mais sensível do que a blindada e sua engrenagem necessita de limpeza periódica.

Já a tarraxa aberta é a mais delicada e, portanto, necessita de cuidados específicos. Sua engrenagem fica totalmente exposta às condições ambientais; portanto, o músico deve sempre estar atento verificando se o local apresenta acúmulo de poeira ou sinais de oxidação.

A dica, quando for substituir as tarraxas, é comprar um jogo compatível ou encaminhar o instrumento a um luthier qualificado e de confiança para fazer as alterações necessárias no instrumento.
  
PRECISÃO

Nem sempre as melhores e mais caras tarraxas do mercado necessariamente terão uma afinação mais precisa. Isso porque o projeto da tarraxa nesta questão influi mais do que a qualidade de seus materiais.

Algumas marcas de tarraxas
apresentam na embalagem informações como "1:12", "1:14" ou "1:16", com o objetivo de especificar a precisão de afinação. O primeiro número representa o número de voltas do “poste” (local onde a corda é presa) da tarraxa. O segundo número representa a quantidade de voltas que a “borboleta” deve girar para que o poste realize uma volta completa.


Por exemplo: imagine uma tarraxa "1:14". Será necessário girar a borboleta 14 vezes para que o poste da tarraxa gire apenas  uma volta. Deste ponto de vista, quanto maior o número de voltas da borboleta para uma volta do poste, maior será a precisão de afinação da tarraxa. Ou seja, uma peça "1:20" afinará com maior precisão do que uma "1:12".

sábado, 8 de junho de 2013

DICAS PÓS REGULAGEM – PARTE II

No primeiro texto sobre dicas pós-regulagem, abordamos os cuidados que os músicos devem ter para que a regulagem dure mais tempo.

Desta vez apresentamos algumas informações importantes para os músicos que possuem dúvidas sobre este importante serviço que pode modificar um instrumento por completo.
Para facilitar o entendimento, os assuntos foram separados por tópicos.
Uma boa leitura e que seja esclarecedora!


PREPARANDO O INSTRUMENTO PARA O GRANDE EVENTO


Não são poucos os músicos que decidem levar seu instrumento para regular dois dias antes da gravação ou de um grande show.  No afã de ter sua guitarra (baixo ou violão) nos trinques levam o instrumento à oficina de seu luthier e pedem para o profissional dar aquele trato.
Porém a alegria de ter o instrumento no capricho dura pouco. Durante o evento, as  notas desafinam e as cordas produzem um som extremamente metálico.

 Situações como essa não são raras e se repetem com mais freqüência do que se imagina.

Mas afinal, quais medidas os músicos devem adotar para evitar um inconveniente como esse?

 A resposta é simples: evite regulagens e troca de cordas nas vésperas do grande evento.

 O recomendado é que o instrumento seja levado à luteria 15 dias antes do show e retirado sete dias antes da apresentação ou gravação.

 Isso porque após uma regulagem, os instrumentos de cordas ficam susceptíveis a leves alterações estruturais, devido à troca das cordas e à própria regulagem em si.


O INSTRUMENTO FOI REGULADO E DESAFINA COM FREQUÊNCIA

Esta é uma característica muito comum em todos os instrumentos de cordas. Infelizmente, nenhum está a salvo desta desanimadora realidade, nem mesmos quando as melhores cordas são instaladas nos mais caros instrumentos do planeta.

Isso acontece pelo fato de as cordas levarem um certo tempo para se estabilizarem. Para solucionar o problema, basta puxá-las (mas não ao ponto de rompê-las, claro). Também é recomendado tocar por bastante tempo. Assim em dois ou três dias a afinação tornar-se-á mais estável. 


VIOLÕES DE 12 CORDAS E CONTRABAIXOS DE 6 CORDAS

O que estes dois instrumentos tem em comum? Geralmente ambos possuem dois tensores. Por isso a regulagem destes instrumentos requer mais cuidados e atenção, tanto por parte do luthier quanto do músico. Por isso a dica é deixar o profissional trabalhar com calma, pois os dois tensores devem estar em perfeita harmonia.

 Outra dica é tocar o instrumento antes de retirá-lo da oficina. Confira se a distância das cordas agudas está em sintonia com a distância das cordas graves. Confira se o instrumento está confortável e, se necessário, pergunte o que pode ser feito para o instrumento ter uma melhor “pegada”.


TARRAXAS VELHAS

Se depois de uma semana de uso, a afinação de seu instrumento ainda estiver oscilando, provavelmente as tarraxas devem estar com algum problema. Antes de tudo, aperte os parafusos das borboletas das tarraxas. Caso o problema persista, provavelmente as engrenagens devem estar gastas. Neste caso, envie o instrumento novamente ao luthier, e comente a questão. Para saber mais sobre oscilação da afinação, clique aqui.

 Se, de fato, as tarraxas estarem comprometidas, compre peças novas e compatíveis ao seu instrumento e solicite que o luthier faça a substituição.


 AFINAÇÃO DAS OITAVAS

Após a regulagem as oitavas devem estar afinadas. Porém, uma leve alteração na altura das cordas pode afetar a precisão da afinação. Por isso o último detalhe de uma regulagem deve ser a afinação.