quarta-feira, 16 de abril de 2014

PARA EVITAR A COROSÃO (DAS CORDAS E DA SAÚDE) III


No texto anterior abordamos algumas medidas alimentares que podem contribuir com a vida útil das cordas e ferragens de instrumentos musicais. (Para ler, clique aqui)

Se mesmo com as medidas adotadas as cordas e ferragens apresentarem alto nível de oxidação em um curto tempo, atenção: pode ser um sinal de doenças relacionadas à produção de ácido úrico.


Algumas delas podem até comprometer o desempenho musical de profissionais e amadores da arte de tocar instrumentos. Portanto toda atenção é necessária.


Existes três doenças renais, entre outras, provocadas pelas anormalidades do ácido úrico. São elas: nefropatia úrica aguda, nefropatia úrica intersticial crônica e os famosos cálculos renais.


A nefropatia úrica aguda ocorre pela precipitação aguda de uratos dentro dos túbulos renais. Ela provoca uma obstrução à passagem da urina. Caracteriza-se pela pouca produção de urina, o que pode provocar dores lombares.


Portanto, os músicos devem ficar atentos quando tiverem essas dores. Elas podem não ser necessariamente por causa do peso do instrumento, mas devido à inflamação do rim.


Para prevenir esta doença é importante tomar água constantemente, mas sem exageros.


Já a nefropatia úrica crônica é uma doença que impregna todo o tecido do rim, resultando a fibrose do tecido renal, que endurece o órgão. Como consequência o rim passa a não filtrar com tanta eficácia.


Os cálculos renais representam de 3 a 5% de todos os cálculos. Eles ocorrem pela grande excreção de uratos na urina associado a fatores causadores ou facilitadores da formação de cálculos (urina muito ou sempre ácida, supersaturação de cristais, infecção urinária etc.).


A excreção normal de ácido úrico é de até 600mg por dia. Quando ela atinge mais de 1000mg, metade dos pacientes poderá formar cálculos de ácido úrico e deverá receber atenção médica especial.

Por isso a importância de estar com os exames de rotina em dia.


Relacionada à elevação de ácido úrico no sangue, a Gota é uma doença que leva a um depósito de cristais de monourato de sódio nas articulações.


Este depósito que gera os surtos de artrite aguda secundária que tanto incomodam seus portadores.

Na maioria das vezes, o primeiro sintoma é um inchaço do dedo grande do pé acompanhado de dor forte. A primeira crise pode durar de três a dez dias.

Após este período o paciente volta a levar uma vida normal, o que geralmente faz com que ele não procure ajuda médica imediata.


Uma nova crise pode surgir em meses ou anos e comprometer a mesma ou outras articulações. Geralmente as crises de artrite aparecem nos membros inferiores, mas pode haver comprometimento de qualquer articulação. Sem tratamento, o intervalo entre as crises tende a diminuir e a intensidade a aumentar.


O paciente que não se trata pode ter suas articulações deformadas e ainda apresentar depósitos de cristais de monourato de sódio em cartilagens, tendões, articulações e bursas.

O diagnóstico desta doença só é possível durante a primeira crise, se forem encontrados cristais de ácido úrico no líquido aspirado da articulação. Caso contrário, não é possível definir o diagnóstico antes de descartar outras causas possíveis.


Não há cura definitiva para a gota, já que a maioria dos casos acontecem devido a falhas na eliminação ou na produção do ácido úrico.


Geralmente são indicados dieta e medicamentos para diminuir a taxa de ácido úrico no sangue e, consequentemente, evitar as crises de gota.


PARA EVITAR A CORROSÃO II

Quem mora em cidades litorâneas, como Santos e região, sabe o quanto é triste necessidade de ter que trocar as cordas de seu instrumento em curtos períodos.

A maresia e a umidade do ar contribuem – e muito – não só com a oxidação das cordas, mas também com a depreciação estética das ferragens dos instrumentos, como ponte e tarraxas. (Para saber como prevenir a corrosão, clique aqui)


No entanto, as características climáticas não são os únicos vilões no que diz respeito à abreviação da vida útil das cordas. O que ingerimos também afeta consideravelmente a conservação dos encordoamentos, pois eliminamos pelo suor ácido úrico, que é extremamente corrosivo.

Há, porém, maneiras de produzir menos dessa substância nociva às cordas e, consequentemente, ao bolso.

O ácido úrico é uma substância produzida pelo nosso organismo quando da utilização de todas as proteínas que comemos na alimentação do dia-a-dia.

Numa explicação mais simples, pode-se dizer que, quando as moléculas de proteínas dos alimentos são partidas em pedaços dentro do nosso organismo para servir de energia, o que sobra de todo esse processo é o ácido úrico.


Bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas, e alimentos ricos em purina (ervilhas, feijão, carnes, tomate, frutos do mar etc.) são reconhecidamente uma importante fonte para o aumento do nível de ácido úrico no organismo.

Por isso, a importância de os músicos terem conhecimento dos alimentos que podem contribuir com a abreviação da vida útil das cordas.


Segue uma lista dos alimentos que aumentam o nível de ácido úrico:


Legumes: couve-flor, vagem, feijão, ervilha, amendoim, azeitona
Carnes: miúdos de carnes em geral, carne de porco, carne de vaca, embutidos em geral
Peixes: Sardinhas, muquecas em geral
Ovos
Bebidas alcoólicas: destiladas, vinho
Alimentos em conserva
Pimenta do reino
Tomate


Como todo brasileiro não vive sem o tradicional feijão, uma dica é deixá-lo descansando dentro de uma vasilha com água à noite. Na manhã seguinte remova a água e lave o feijão antes de cozê-lo.

Com certeza, as cordas e ferragens de seu instrumento agradecerão!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TARRAXAS, ESCOLHA A SUA

Engana-se o leitor que pensou que neste texto serão abordadas as principais marcas de tarraxas do mercado. A ideia é fazer com que sejam solucionadas algumas possíveis dúvidas na hora da comprar esta peça tão fundamental para a afinação de qualquer instrumento de cordas.

Não é raro ver casos em que o músico compra a tarraxa de seus sonhos e descobre que ela não é totalmente adequada ao seu instrumento. Para não haver erros na hora da compra, é importante conhecer as variedades os diversos tipos de tarraxas.

Basicamente existem três distintos padrões: blindados, semi-blindados e abertos.

As tarraxas blindadas protegem totalmente o sistema de engrenagem contra poeira, gordura, além de evitarem a oxidação precoce, principalmente em cidades litorâneas. Elas são as mais apreciadas por diversos músicos pela sua durabilidade e resistência. Alguns modelos são equipados com travas e até sofisticados sistemas que cortam o excesso de cordas automaticamente.

As semi-blindadas possuem uma carcaça removível e são instaladas freqüentemente em modelos como SG e Les Paul. Essa variedade é mais sensível do que a blindada e sua engrenagem necessita de limpeza periódica.

Já a tarraxa aberta é a mais delicada e, portanto, necessita de cuidados específicos. Sua engrenagem fica totalmente exposta às condições ambientais; portanto, o músico deve sempre estar atento verificando se o local apresenta acúmulo de poeira ou sinais de oxidação.

A dica, quando for substituir as tarraxas, é comprar um jogo compatível ou encaminhar o instrumento a um luthier qualificado e de confiança para fazer as alterações necessárias no instrumento.
  
PRECISÃO

Nem sempre as melhores e mais caras tarraxas do mercado necessariamente terão uma afinação mais precisa. Isso porque o projeto da tarraxa nesta questão influi mais do que a qualidade de seus materiais.

Algumas marcas de tarraxas
apresentam na embalagem informações como "1:12", "1:14" ou "1:16", com o objetivo de especificar a precisão de afinação. O primeiro número representa o número de voltas do “poste” (local onde a corda é presa) da tarraxa. O segundo número representa a quantidade de voltas que a “borboleta” deve girar para que o poste realize uma volta completa.


Por exemplo: imagine uma tarraxa "1:14". Será necessário girar a borboleta 14 vezes para que o poste da tarraxa gire apenas  uma volta. Deste ponto de vista, quanto maior o número de voltas da borboleta para uma volta do poste, maior será a precisão de afinação da tarraxa. Ou seja, uma peça "1:20" afinará com maior precisão do que uma "1:12".