O que de fato conta, nesta questão, são as características físicas da escala. Quando feitas com madeiras macias, com os poros e veios mais abertos, favorecem os médios e graves. Já as madeiras duras e pesadas destacam os agudos.
Para elucidar a questão, vale lembrar uma aula que tive no curso de lutheria da universidade estadual de música Tom Jobim (ULM). Na ocasião, meu saudoso mestre Eduardo Ladessa fez uma comparação bastante interessante e esclarecedora sobre o assunto: “Imagine uma corda de aço com as extremidades presas em uma chapa de inox. Ao percuti-la, o som produzido será um tanto estridente. Já, se estiver presa em um pedaço de isopor, o som não terá tanto brilho. Aliás, será mais grave ...O mesmo efeito acontece com as madeiras, porém em menor proporção, claro”, explicou.
Assim, fica mais do que claro que madeiras de cores diferentes podem proporcionar as mesmas características sonoras, pois o que rege o timbre são as propriedades físicas da madeira - e não estéticas. Portanto espécies de cores parecidas podem produzir timbres distintos.
Vamos usar o seguinte exemplo para facilitar o entendimento: visualmente o maple e o pau-marfim são madeiras bastante parecidas. Entretanto, a primeira é leve e porosa, enquanto a segunda – como o próprio nome sugere – é dura e pesada (aliás, com densidade similar à do jacarandá, que, por sua vez, é uma espécie escura). Desta forma, apesar de serem similares, o maple e o pau-marfim proporcionam sonoridades diferentes.
Cuidados
Deixando a questão do timbre um pouco de lado, o músico deve estar bem ciente quanto aos cuidados específicos da cor de sua escala. Ao contrário das outras peças de um instrumento, esta é a única parte que não é envernizada, portanto necessita de atenção especial.
Escalas claras, obviamente, sujam em menos tempo de uso do que as escuras. É bom ressaltar que as madeiras mais porosas, se não estiverem envernizadas, acumularão mais sujeira e gordura do que as mais duras e de veios bem fechados.
Portanto, se tiver que escolher entre o maple e o pau-marfim (ambas claras), a dica é optar pela segunda, que é mais densa e com os veios mais fechados, desde que você não se importe em ser contemplado com um timbre levemente mais agudo e definido.
Porém, as escalas claras não são as únicas que necessitam de cuidados especiais. Madeiras de cores vibrantes, como o pau-brasil, muirapiranga, Sebastião de arruda e o roxinho, oxidam e escurecem dependendo da acidez do suor da mão do músico. Geralmente as regiões mais tocadas ficam acinzentadas com o tempo, mas nada que uma boa lixa fina não resolva a questão estética.
Abraço e até a próxima!