segunda-feira, 30 de junho de 2014

ESPELHO: ÉBANO VS EBANIZADO

Bastante apreciado pela sua estética e contribuição ao timbre dos instrumentos de cordas, os espelhos (também conhecidos como escalas) de "ébano" podem não ser exatamente o que os músicos procuram.

Isso porque muitas vezes eles podem ter uma característica um tanto indesejada: não passar de um espelho ebanizado.


A diferença entre essas duas variedades de espelho é que o espelho de ébano é feito com a nobre madeira africana (e agora também asiática). Já o ebanizado não passa de uma madeira macia, de baixa densidade, porosa e tingida de preto. Trata-se de uma boa simulação.



QUESTÕES SONORAS


A principal diferença entre os espelhos de ébano e os ebanizados é referente ao timbre. Embora essas variedades de espelhos sejam esteticamente parecidas, o som é bastante distinguível, em especial aos ouvidos mais atentos.


Geralmente os espelhos ebanizados são feitos em maple, uma madeira clara, leve e porosa, cujas características mecânicas, de vibração, elasticidade, densidade e ponto de ruptura são bastante diferentes do ébano, que por sua vez é uma espécie densa  e dura.


Para se ter uma breve noção da diferença destas duas espécies de madeira, podemos dizer que o maple pesa cerca de 63 gramas por cm². O ébano pode chagar a até 50% a mais deste valor.


Quanto à resistência considerando a ruptura da madeira, o maple aguenta cerca de 650 kg/cm². Já o ébano suporta até surpreendentes 1.400 kg/cm². 


Porém, quando o assunto é a velocidade da propagação dessas madeiras, são bem próximas, entre 4300 e 4800 m/s.



TINGIMENTO E PINTURA


Além das discrepâncias do maple e do ébano, há outro fator que contribui com a queda da qualidade dos espelhos ebanizados, em comparação aos de ébano: a pintura e o tingimento.


Esses recursos, que enganam os músicos desavisados, se revelam com o passar do tempo, pois a tinta sofre um desgaste natural ocasionado pelo uso do instrumento, deixando-o com uma aparência descuidada.


Porém, a questão estética não é o único problema dos ebanizados. A tinta aplicada no espelho sela os poros da madeira, retendo sua vibração. O resultado é um timbre sem vida e opaco.


CONFORTO E TOCABILIDADE


Quem conhece os espelhos ebanizados, sabe que além de a cor negra sair com o tempo, sua superfície fica deformada e desgasta pelo atrito e pressão das cordas sob a madeira, geralmente de baixa densidade e resistência.

Essas deformações , conhecidas como "buracos" geram vibrações indesejadas, além de prejudicar os harmônicos e sustain do instrumento.



COMO SE PROTEGER?


O primeiro passo para não comprar gato por lebre (ou melhor, ebanizado por ébano) é conhecer a procedência do instrumento. Em caso de dúvidas, o espelho deve ser bem analisado. Os veios devem estar definidos. Se não estiverem, há grandes possibilidades de a peça ser ebanizada.


Caso a dúvida persista, confira a parte inferior do espelho (a que está voltada ao tampo). As possíveis falhas na pintura (revelando a cor clara do maple) são indícios de que a peça é ebanizada.  


E se, ainda assim, não for possível distinguir essas duas variedades de espelho, peça orientação a um luthier capacitado e de confiança.



OUTRAS OPÇÕES


Espelhos de ébano e ebanizados não são as únicas opções para confecção de espelhos de instrumentos musicais. Essas peças podem ser feitas com madeiras menos tradicionais que a africana e de melhor qualidade que as ebanizadas.


É possível fugir dos espelhos pintados optando por madeiras como rosewood (jacarandá asiático), ipê, coração de negro, sibipiruna, roxinho, entre outras.


Essas madeiras podem substituir o ébano com eficácia pela sua dureza, resistência, mecânica e densidade. Certamente não possuem a beleza negra do ébano, mas são alternativas mais acessíveis e de qualidade surpreendente.





3 comentários:

  1. muito interessante este post sobre ebano , particulameito acho o roxinho muito bom ....

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  2. amigo o que vc me diz sobre o vinhatico . ja usei em 3 guitarras minhas e gostei muito . e que nao vejo muitas guitarras com esta madeira por ai . sera porque ?

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  3. Olá, William!
    Sim o roxinho é uma ótima madeira, desde que esteja seca e com o corte correto.
    Não conheço a madeira vinhatico. Você sabe qual é o nome científico desta espécie?
    Abraço

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