sábado, 3 de março de 2012

VIOLÕES: VALE A PENA CONSERTAR?

A pergunta que leva o título deste texto com certeza permeia a cabeça de diversos músicos, quando seu violão quebra. Afinal, as mega-indústrias de instrumentos de países como China, Coréia e Taiwan, ao mesmo tempo em que democratizaram a prática musical, entupiram o planeta com violões e violas de qualidade, no mínimo, duvidosa.

Duvidosa, sim, pois o baixo valor monetário destes produtos (em geral) tem um alto preço: pouca qualidade e curta durabilidade, em especial no caso dos violões.
Por esse motivo, quando um destes instrumentos quebra, não tem jeito, sempre fica a dúvida: "Será que vale a pena consertar?". E o único que pode responder este dilema é, de fato, o proprietário do instrumento.

Hoje podemos dizer que maioria dos instrumentos de origem asiática são, de certa forma, descartáveis, pois, quando quebram, raramente valem ser consertados. Isso porque são fabricados com madeiras compensadas, aglomeradas e até MDF. Além disso, são construídos sem critérios que respeitam a precisão das medidas que qualquer instrumento deve ter, o que pode reduzir e muito a sua qualidade.


Desta forma, muitos clientes julgam que o conserto pelo seu custo, mas se esquecem que, na verdade, o valor do instrumento é baixo.  Para ilustrar basta dizer que dificilmente alguém pagaria R$200,00 para consertar um violão Kashima, compensa mais comprar um novo. Mas se o mesmo serviço e valor forem aplicados em um Ramirez (avaliado em cerca de R$40 mil) é o mesmo que “salvá-lo por uma bagatela”.

Outro fator importante no momento de decidir entre consertar (ou não) é o apreço sentimental pelo instrumento. Muitas vezes o violão foi de uma pessoa querida e por isso muitos optam por consertá-lo.


QUANTO MAIS VELHO, MELHOR

A idade do instrumento também é um fator determinante na decisão de consertá-lo, principalmente nos casos dos violões.

Vamos tomar como exemplo um Giannini modelo estudante da década de 1980. Imagine que seu cavalete esteja descolado, o braço quebrado, sem o rastilho e com a pestana gasta, além de estar com as tarraxas enferrujadas.

Para deixá-lo em ordem será necessário um investimento de cerca de R$450,00. Mas será que o serviço é válido, considerando que com esta quantia é possível comprar um violão novo? A resposta é sim, o conserto compensa. Isso porque, além de serem instalados pestana e rastilho feitos de osso (que são muito melhores dos que os originais de plástico), a madeira do instrumento antigo (mesmo sendo compensada) estará totalmente curtida, tendo secado naturalmente ao longo das décadas.

Com isso o violão antigo terá um som mais definido e encorpado do que os instrumentos novos de loja, recém-fabricados. Outra vantagem é que a madeira do violão antigo, por estar seca, não sofrerá torções e deformações. O mesmo não acontece com os novos de loja.

Portanto, há casos em que um conserto geral poderá deixar seu instrumento com um timbre de qualidade muito superior ao de um violão novo.   

(Procure sempre saber a escola e conhecer os trabalhos de seu luthier)

5 comentários:

  1. Adorei a sua dica, me ajudou bastante.
    Mandei consertar meu violão de 1980 e ficou perfeito para tocar e tambem muito bonito!
    Obrigado!

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  2. Olá, amigo anônimo!
    Fico feliz que tenha ajudado e que tenha gostado do serviço!!
    Grande abraço
    Vitor Gomes

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  3. Boa noite !
    Gostei muito de ler seus artigos, eu tenho um violão digiorgio de 1979 modelo clássico nº 28 que me foi dado na minha adolescência que gostaria de ver se vale a pena consertar pois esta descolando e com um buraco perto do braço e tenho tido dificuldade pois não pega afinação. Eu gostaria de saber se o senhor poderia conserta e onde eu posso levar pois estou em Peruíbe. Desde já agradeço sua atenção!!!


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  4. Olá, Maria de Fátima!
    Fico feliz que tenha gostado do blog.
    Podemos fazer uma avaliação e orçamento sem compromisso.
    Entendo que deve ser difícil se deslocar a Santos apenas para resolver a questão de seu violão. Por isso, fico a disposição para recebê-la em minha oficina mesmo no sábádo ou domingo, sem problemas - se para você esses diar forem mais tranqüilos.
    A princípio posso adiantar que por ele ter mais de 30 anos, sua madeira já passou pelo processo natural de secagem, o que faz de seu som melhor do que os Di Giorgios novos.
    Qualquer coisa, deixo meus contatos:
    (13) 30216394
    vgomes_luthier@hotmail.com
    Abraço e obrigado pela confiança
    Vitor

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  5. To pensando em mandar o meu pro conserto, você me indica algum em santos-sp???

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